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13 DE ABRIL DE 1940 Ricardo Severo, que há dias se finou em S. Paulo, Brasil, foi um grande português que com fervor religioso estudou as origens da sua terra, amorosamente lhe quis e através da sua longa e afanosa vida sempre procurou servi-la, pela sua preclara inteligência, o seu nobre carácter, a sua vasta cultura, a sua fé sempre renascente, a sua incansável e fecunda actividade.
No Brasil o seu nome aureolou-se dum extraordinário prestígio, brasileiros e portugueses se irmanando no respeito e na admiração que lhe tributavam.
E bem merecia a sua vida e a sua obra, que os anos não desluziram, esse respeito e essa admiração de que mais uma vez teve em manifestações calorosas, de expressiva unanimidade, o alto e consagrador testemunho.
Ricardo Severo era um cientista dos mais notáveis e um técnico dos mais competentes.
Deixa em vários trabalhos assinalados o muito que sabia dos assuntos que para o seu estudo preferia, e bem como sabia dizer do muito que aprendera e descobrira. E S. Paulo, onde principalmente e no transcurso de largos anos, a sua preciosa actividade se exerceu, afirma, nas transformações notáveis por que passou, sobre a sua direcção e impulso, a sua altíssima competência de trabalhador consciente e corajoso.
Ricardo Severo podia ter orgulho da sua vida e do respeito afectuoso de que soube cercá-la.
Homem de princípios sempre aos seus princípios permaneceu fiel. Mas era tal a elevação com que os mantinha, tão clara a sinceridade com que os guardava que os adversários desses princípios nem por isso deixavam de ser seus amigos e seus admiradores, sendo dos primeiros nas homenagens e aplausos que à sua obra se prestavam.
O fundador e orientador da Portugalia, o director da Revista de Ciências Naturais e Sociais, o autor proficiente e sempre brilhante de tantos estudos sobre coisas portuguesas, o cidadão exemplar e o trabalhador sem férias que tão alto, e só pelo seu esforço, soube impor-se, bem merecia, repetimos, que assim lhe quisessem e assim o festejassem.
Era um grande português, que nunca se esqueceu de que o era, e que em sê-lo com todas as límpidas virtudes da sua raça sempre timbrou. Justificado é assim o sentimento profundo que a sua morte causou em Portugal e Brasil, sentimento que bem se mostrou na homenagem unânime que a imprensa dos dois países rendeu à sua memória.
É que são cada vez mais raros os homens da sua estatura mental e moral, são cada vez mais raras as lições de educadora nobreza como as que na sua vida se compendiavam.
Renovação sente a morte do grande português, e envia a toda a sua ilustre família a expressão das suas condolências muito sinceras.
Ricardo Severo, quando veio a Portugal em 1935, residiu na sua casa de Casal de Pedro, Junqueira, deste concelho, onde tinha sua veneranda Mãe, há pouco também falecida. Ali foram cumprimentá-lo representantes da nossa Câmara, deferência que a Ricardo Severo muito penhorou.
8 DE MARÇO DE 47 (Junqueira, 24 de Fevereiro) No lugar de Casal Pedro, desta freguesia, foi localizada uma casa cujos moradores passam a noite a roubar pinheiros. Foi lá encontrado um pinheiro bastante grosso, pertencente à Quinta da Boa Vista, propriedade dos herdeiros do saudoso engenheiro dr. Ricardo Severo.
[...] os destinos do Renovação a partir da edição 70 (13 de Abril de 1940). A notícia da morte de Ricardo Severo, que se segue, é publicado já sob a sua orientação. A partir desta altura, muitas alterações [...]
[...] Ricardo Severo, que há dias se finou em S. Paulo, Brasil, foi um grande português que com fervor religioso estudou as origens da sua terra, amorosamente lhe quis e através da sua longa e afanosa vida sempre procurou servi-la, pela sua preclara inteligência, o seu nobre carácter, a sua vasta cultura, a sua fé sempre renascente, a sua incansável e fecunda actividade. [...]