Junqueira Antiga

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S. Simão da Junqueira no Século XX nas páginas dos jornais vilacondenses. Um projecto a longo prazo, realizado diariamente, com a reprodução das notícias e a divulgação dos junqueirenses mencionados nas páginas dos periódicos. Sem outras pretensões que não sejam a contribuição para a História da Junqueira, este espaço está ao dispor dos visitantes, que podem fazer chegar as suas críticas, sugestões ou referências para junqueiraonline@gmail.com.

7 de Setembro de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, edição 89

Doentes

Encontra-se doente a exma. Sra. D. Guilhermina Ferreira Campos, esposa do nosso querido amigo e assinante sr. José Baptista da Costa, da Junqueira.

 

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17 de Agosto de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, edição 86

29 de Julho de 1940

Por Terras do Minho – Excursão dos alunos da escola masculina da Junqueira (Retardada na Redacção)

Há quatro anos que o professor desta freguesia sr. José Lopes da Costa, proporciona, com o auxílio da Caixa Escolar, uma excursão anual aos alunos sócios da mesma Caixa, a que se associam os melhores elementos da nossa terra.

Pequenos e adultos aguardam com ansiedade esse passeio, com o qual se procura dar aos pequenos escolares, além dumas horas de verdadeira alegria, conhecimento exacto da bela terra portuguesa, sempre tão cheia de encantos naturais, mas agora alindada pela patriótica e sábia administração do governo do Estado Novo.

Guerra Junqueiro, que a classificou de – a mais formosa e linda -, se ainda hoje fosse vivo teria escassez de termos para condignamente a classificar.

Foi, pois, no passado domingo a 4ª excursão promovida sob o patrocínio da Caixa Escolar.

A 1ª foi a Braga e seus encantadores subúrbios; a 2ª, a Valência; a 3ª a Aveiro e a de ontem foi ao Gerês com visita às terras do percurso.

As camionetas chegaram aqui às sete e meia. Os excursionistas também foram pontuais e traziam as suas cestas bem providas. Na excursão tomaram parte os seguintes senhores, com as respectivas famílias: pároco da freguesia; componentes da Junta – José Baptista da Costa, José Amorim e Manuel Ferreira Amorim; regedor – Joaquim Gomes da Silva; dr. Carlos Pinto Ferreira, Carlos G. da S. Capela, Manuel G. da S. Capela, Adelino Gomes da Costa, Abílio da C. Araújo, etc., e muitas crianças da escola.

Às oito horas as camionetas dão sinal de partida e, mesmo com velocidade moderada, depressa atingem Famalicão e depois Braga, terras que nos eram bastante familiares. Depois Ponte do Bico, onde corre o Cávado, que deixava ver o seu leito bastante descoberto. Povoações lindas, casas e muros – donde pendiam flores – muito caiados. A seguir Carrazade, e Rendufe ao lado com o seu mosteiro de duas torres. Em breve alcançamos Amares, linda e bem cuidada, vaidosa do seu remoto avoengo Gualdim Pais, a quem, num preito justo de gratidão, levantaram uma estátua na melhor praça daquela vila.

A flora, como num filme, toma outro aspecto, pois as oliveiras, em ranchos começam agora a surgir nos terrenos que marginam a estrada de mistura com carvalhos, em grande profusão. Aparece depois Dornelas. A sua igreja, com uma só torre, emerge lá em cima, muito caiada no meio do arvoredo verdejante. A seguir a igreja de Santa Marta, com a sua torre muito esguia. Grupos de homens e mulheres conversam sossegadamente, usando a mesma indumentária da gente da nossa terra.

Povo respeitador, pois cumprimenta-nos com um sorriso de bondade, que nós retribuímos com sinceridade.

De repente, numa curva de estrada, aparece-nos a igreja do Bouro, com duas torres, com o seu casario anexo mal-tratado, quase em ruínas. Revela-nos ainda, porém no seu aspecto exterior, a opulência dos seus moradores em tempos idos. Percorremos as suas salas com cuidado, pois tudo aquilo ameaçando ruína, é agora habitação quase exclusiva de animais daninhos.

Aqui, tomamos uma estrada, à esquerda, para visitarmos o Mosteiro da Abadia. Estrada estreita e íngreme, mas que os motores vencem com relativa facilidade. No percurso desta ladeira encontramos o reverendo Abade Paulo Lourenço Rodrigues, pároco no concelho de Amares, que, montado numa anafada égua seguia também para o santuário. Chegamos.

Os que não conheciam a Abadia admiram aquele reconcavo de natureza, aquele oasis no meio da montanha. Havia ali missa nova, a ser celebrada pelo reverendo João de Deus, também conhecido pelo Padre Pascoal, de Santa Isabel do Monte. Por isso se viam ali tantos eclesiásticos…

Visitamos o santuário, cercado de montanhas, oramos e meditamos na nossa pequenez antes aqueles gigantes de terra e pedra que penetravam nas nuvens e que nos cercavam.

Votamos a Bouro e tomamos a direcção de São Bento da Porta Aberta.

Passamos Dornes com a sua igreja asseada. Pela encosta de um monte, à direita, descia apressado um ribeirinho, que ia juntar-se lá muito no fundo ao rio Caldo, que se arrastava entre penedos. E então aqui o cenário é grandioso, empolgante.

À nossa direita, vasto horizonte limitado ao longe pelas montanhas cobertas de arvoredo verdejante e profuso. Dava-nos a impressão do arvoredo do Bom Jesus de Braga, em fantásticas dimensões.

E em frente, num contraste flagrante, o Gerês escalvado, de aspecto carrancudo, de quem um jornalista disse há anos:

Eu sou aquele inculto e grande monte,

A quem vós outros chamais o do Gerês.

É das minhas entranhas que promanam,

As águas que em baixo brotar vez.

E as camionetas lá iam seguindo na direcção de São Bento. Terreno íngreme, mas que os motores vão vencendo sem esforço de maior. Aqui todos ficam bem impressionados porque o local é lindo, o horizonte é largo e a povoação denuncia, – com o seu coreto elegante, com as suas avenidas de tílios e com o seu parque bem cuidado – civilização e progresso.

Mas os excursionistas, unanimente, proclama a necessidade de se atender as solicitações do estômago, tanto mais que eram treze horas. E as cestas descem dos tejadilhos, das camionetas e todos pressurosos, se dirigem para o parque. Momentos de bem-estar, de alegria, de satisfação. Harmonia completa e perfeita fraternidade. Os sinos repicam modinhas conhecidas e trechos do filme A Aldeia da roupa branca.

Depois visitamos templo e cumprimos o nosso dever de cristãos.

Mas o tempo urgia, e o programa tinha de ser cumprido. Por isso de novo retrogradamos. As camionetas avançam e em breve alcançamos o Gerês.

Povoação linda e asseada, – um éden no meio da natureza bravia. Aqui demoramos um bom bocado a visitar a famosa estância termal e a fazermos as nossas compras – recordações – e voltamos quase com saudade à povoação do rio Caldo. E agora começa a escalada abrupta da ladeira do mesmo nome. São oito quilómetros de ascensão difícil em que os motores rangem e um deles manifesta certa indecisão. O abismo que se nos desenha do lado direito é horroroso.

Mas, briosamente, as camionetas lá chegam ao cimo da ladeira pavorosa do Rio Caldo onde ainda adeja a água e vive o lobo. E naquelas alturas incomensuráveis, escondida no meio do arvoredo pujante, vê-se uma povoação que nos é denunciada por uns pequeninos campos de milho, pois onde a cultura é possível mesmo em pequenas dimensões, logo o povo estabelece o seu poiso e ali se aclimata.

E os motores lá arrancam para Póvoa de Lanhoso, que é asseada e onde são evidentes os anseios de progresso. Um edifício de grandes linhas ali se vê em construção e que nos dizem ser os Paços do Concelho. O jardim também é bonito e asseado. Mas o sol vai baixando no horizonte. Fazem-se compras e avançamos para as Taipas.

Aqui de novo se atacam, com energia e decisão, os farnéis ainda com bastantes provisões. O lugar presta-se. Arvoredo, relvado.

Permutam-se as vitualhas, com franqueza, com liberalidade.

Mas a tarde com grande saudade de todos vai-se escoando lentamente.

Por isso, terminado, com muita calma o repasto, lá seguimos para Guimarães afim de visitarmos o Castelo onde ainda há pouco se celebraram as mais patrióticas festas.

Contornámo-lo com devoção e carinho, e memoramos o papel importante que ele desempenhou no começo da nossa nacionalidade. Foi uma lição de história feita ao vivo às crianças e a alguns adultos, sendo também ali posto em foco o quanto o governo de Salazar tem feito por Portugal, tão evidentemente patenteado nas belas estradas que percorremos, nas escolas lindas que vimos, nos diversos edifícios em construção que presenciamos e até naquele e noutros castelos restaurados que atestarão à posteridade a nossa grandeza passada.

E assim os alunos sócios da Caixa Escolar tiveram ocasião de ver a terra-berço da nossa nacionalidade, onde há oitocentos anos se desenrolaram factos que por completo influenciaram nos destinos da nossa Pátria. Tudo isto foi dito aos alunos excursionistas, que contornaram aquele vetusto monumento de granito com curiosidade e admiração, assim como admiraram a estátua do 1º rei de Portugal – o valoroso D. Afonso Henriques.

A noite vinha descendo.

Atravessamos a cidade para onde emergiam ranchos que regressavam das aldeias, cantando. Passamos por Negrelos, onde vimos as diversas fábricas que fazem a felicidade daquelas terras.

As crianças cantavam. Depois Santo Tirso, muito iluminada. A seguir Trofa, Fornelo, Macieira e… Junqueira.

29-7-940. – C.

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27 de Julho de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, edição 83

Profilaxia da Raiva

Em cumprimento do decreto que torna obrigatória a vacinação contra a raiva de todos os caninos do país, avisam-se os donos ou responsáveis pelos cães existentes da área deste concelho com idade superior a quatro meses, para apresentá-los a fim de serem vacinados, no local, dia e hora abaixo mencionados:

(…)

No dia 27, Junqueira, junto ao talho, às 8 horas.

(…)

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20 de Julho de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, edição 82

 

Junqueira, 17 de Julho

Encontram-se nesta freguesia, a passar uma parte do verão, os srs. José da Costa Magalhães e Joaquim Moreira Brites, de Vila do Conde, com suas respectivas famílias.

- Concluiu o curso de farmácia na Faculdade de Farmácia do Porto o nosso conterrâneo sr. António Ferreira da Costa. Parabéns.

- O nosso reverendo e estimado Pároco tem distribuído várias esmolas pelas famílias mais necessitadas desta freguesia, da quantia que para tal fim lhe foi confiada pela família do falecido José Fernandes da Silva, dessa vila.

- Relação das alunas da professora desta freguesia sra. D. Ernestina Sá que há dias fizeram exame de 3ª classe e que foram aprovadas: Idalina Lopes Ferreira, Síria da Costa Fernandes, Olga de Oliveira Curval, Ana Alves da Silva, Maria Elisa R. Campos, Maria Albina de Azevedo, Alcina F. Lopes da Costa e Adília F. Lopes da Costa. Pelo professor sr. José Lopes da Costa, também foram propostos os seguintes alunos, ficando todos aprovados: Mário F. Ribeiro de Faria, Fernando Cerqueira F. da Costa, Carlos A. F. da Ressurreição, Manuel da Costa Ferreira, António Gonçalves das Neves, José Alves da Silva, José Maria da C. Amorim, Eduardo Cândido B. da Costa, José Nunes da Silva, Orlando da Costa Pinto Ferreira, José da Costa Ramos, Joaquim Lopes Ferreira, António Oliveira Curval, António Ferreira Lopes, Horácio Fernandes Maciel e José Correia de Azevedo. – C.

 

Inventário de prédios e fogos

(…)

O sr. Presidente da Câmara nomeou, para efeitos do inventário de prédios e fogos, os seguintes agentes:

(…)

Junqueira – José Lopes da Costa e Padre António José da Costa.

(…)

 

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O filho do dono da Farmácia Costa já é doutor!

A notícia já era esperada mas chegou como se não fosse previsível.

Toda a aldeia se congratulou naquele dia 13 de Julho de 1940 quando percebeu que o dono da Farmácia Costa já poderia descansar em paz: o seu filho, António Ferreira da Costa, acabara de completar, “com distinção”, o curso de Farmácia na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto!

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O casamento da menina Alice

A história vem relatada, com muitos toques pormenonizados da cerimónia, na edição do Renovação de 13 de Julho de 1940 (Director: Carlos Pinto Ferreira, 81). O “casamento”, como se encima a notícia, era o “enlace do ano”. Juntava a menina Alice da Costa Fernandes (a partir daqui “sra. D.), “prendada filha do sr. Marcelino Joaquim Fernandes”, a Jaime Vilaça. Os mais atentos reconhecerão como o sr. Marcelino como o antigo regedor da Junqueira, tendo ocupado o cargo até à data da sua morte. Foi, por isso, um casamento sem a figura do pai da noiva, ele que teve com Aurora da Costra Campos nada mais nada menos do que nove filhos. Outros tempos, dirão alguns.

Mas não desviemos a atenção do casamento, ele-mesmo.

Assim sendo, a Igreja Paroquial da Junqueira assistiu a um desflar de personalidades locais, para abençoar o enlace matrimonial da futura “Sra. D.” Alice com Jaime Vilaça, um “distinto cavalheiro de Famalicão”. E foram muitas, senão vejamos: a D. Maria Ferreira Campos e o sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira (os padrinhos da noiva), Reinaldo Ferreira Carvalho e sua esposa D. Maria Augusta Lima Carvalho, Aparício Mariz, José Araújo Brandão, Laurindo Ferreira Loureiro, Serafim da Costa Rêgo, Ermelinda dos Prazeres da Costa Vilaça, Maria de La Salette Pontes, Padre António José da Costa, dr. António Sampaio de Araújo e sua esposa D. Emelina Campos Costa de Araújo, dr. Eduardo Campos Costa, D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira, Serafim da Costa Campos e José da Costa e sua esposa.

Após a cerimónia, os convivas seguiram alegremente para a casa da madrinha da noite, a sra. D. Maria Ferreira Campos e Silva, onde os esperava um abundante “copo de água”, do Ao Bom Doce, ainda hoje um espaço de excelência de Vila do Conde.

A terminar esta extensa prosa sobre o casamento mais importante de 1940 na Junqueira, o redactor mencionou ainds que “na corbeille dos noivos viam-se muitas e valiosas prendas”… 

Ah, é verdade: os noivos seguiram em viagem de núpcias para o Minho.

 

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6 de Julho de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, edição 80

Junqueira, 2 de Julho

S. Pedro foi aqui bastante festejado. A cada passo se nos deparava com uma artística cascata em honra do venerado detentor das Chaves Celestes, com mastros e cordas e mais decorações bizarras. À noite não faltavam também as girândolas de fogo real, aqui e acolá, mantendo-se e evidenciando-se as velhas tradições de muita simpatia do povo pelo santo claviculário.

- No próximo sábado realiza-se na igreja paroquial desta freguesia o auspicioso enlace matrimonial da gentil menina Alice da Costa Fernandes, filha do sr. Marcelino Joaquim Fernandes, já falecido, e da sra. D. Aurora da Costa Campos, com o sr. Jaime Vilaça, funcionário público em Famalicão.

- Têm chegado a esta freguesia muitos conterrâneos nossos que se encontravam em França há muitos anos.

- Consta-nos que anda em ensaios uma linda comédia que deve subir à cena muito em breve no salão-teatro desta freguesia. Por hoje nada mais poderemos acrescentar a tal respeito, o que faremos oportunamente, logo que obtenhamos as necessárias informações.

- Os exames de 3ª classe dos dois sexos das escolas desta freguesia realizam-se nos dia 8 e 9 do corrente. É presidente do júri o professor sr. Abel Dantas. Serão submetidos às respectivas provas 16 alunos do sexo masculino e 8 do feminino.

- Não tem havido à venda sulfato para o conveniente tratamento das videiras. E as condições atmosféricas que tão insistentemente recomendam a intensificação desse tratamento… – C.

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22 de Junho de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, Edição 78

Comemorações Centenárias

O Cruzeiro da Independência, afortunada iniciativa do nosso querido amigo e ilustre colaborador Rev. Padre Moreira das Neves, foi acolhida pelas freguesias do nosso Concelho com aquele superior sentido patriótico e cristão que requeria e tanto as enaltece. Já várias freguesias, segundo testemunham correspondências insertas neste jornal, realizaram a sua festa do Cruzeiro, todas elas pondo o melhor do seu desvelo e carinho na elaboração do seu programa. Ultimamente outras se lhes seguiram. O que elas foram, dizem-no os relatos que a seguir publicamos.

Junqueira, 17

Festas Centenárias e Cruzeiro da Independência – As comemorações centenárias da Fundação e Restauração, que aqui tiveram o seu início no dia 2 do corrente, conforme o programa geral, com várias cerimónias patrióticas nas escolas oficiais desta freguesia, atingiram ontem o maior brilhantismo, associando-se a todos os actos numerosa multidão de povo desta e das freguesias vizinhas. Bastantes casas ostentam, desde a gloriosa jornada de Guimarães, às respectivas janelas, bandeiras da Fundação, o que mostra que nesta terra já sopra uma salutar rajada de civismo. Às cinco horas da tarde surgiu lá em cima, junto à capela da Senhora da Graça, a Bandeira Nacional conduzida por uma aluna da escola feminina, vindo atrás todas as alunas da mesma escola com pequeninas bandeiras da Fundação e lindos ramos de flores, marchando duma forma impecável em direcção à escola masculina onde se encontravam também já formados os alunos daquela escola.

Organizou-se então um vistoso cortejo com os alunos das escolas dos dois sexos com as respectivas bandeiras, o reverendo Pároco, gente da freguesia, regedor, dr. Carlos Pinto Ferreira, Delegado de Saúde, várias outras pessoas de representação social e muito povo. Começou então a deslizar o lindo cortejo em direcção à igreja, cantando as crianças no percurso lindas canções patrióticas. O vasto templo encheu-se de povo.

Após várias cerimónias religiosas o cortejo pôs-se de novo em marcha em direcção ao lindo Cruzeiro que fica próximo e onde se ia proceder à inauguração da lápide comemorativa dos dois centenários.

O reverendo Pároco procedeu à descerração da lápide, sendo este um momento de intensa emoção.

As crianças, aproximadamente em número de 150, fizeram continência, cantaram o hino nacional, repicaram os sinos e subiram foguetes ao ar, enquanto o augusto símbolo subia, lentamente, desfraldado ao vento.

Seguiu-se depois uma sessão solene no mesmo local, num estrado previamente preparado, que decorreu com o maior interesse e elevação. Falaram os srs. Reverendo Pároco, que presidiu, dr. Carlos Pinto Ferreira, professores D. Ernestina Sá, Figueiredo e Costa, tendo numerosos alunos e alunas recitado com muita arte lindas poesias e proferidos patrióticos discursos, tendo sido todos os oradores muito aclamados.

Proferiram discursos e poesias os seguintes alunos:

Manuel Corval, A nossa história; Mário Soares, Portugal; José Amorim, Egas Moniz; Alfredo da Costa, Nuno Álvares Pereira; Adilia Costa, Migalhas; Manuel Cerqueira, Sonho de Pomba; Rui Lopes da Costa, Lenda Polaca; Orlando Pinto Ferreira, A nossa Pátria; Adília Costa, Os pobrezinhos; Manuel Corval, Fidalgo toleirão; Idalina Curval, Um Rico que passa; e Maria Emelina Pinto Ferreira, Jesus em Pequenino.

Tomaram assento na mesa a Junta de freguesia, regedor, e o sr. Horácio da Silva Nogueira, vereador da Câmara. Foi uma verdadeira lição de civismo, que deixou a numerosa assistência muito bem impressionada. – C.

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13 de Abril de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, edição 70

Ricardo Severo

Ricardo Severo, que há dias se finou em S. Paulo, Brasil, foi um grande português que com fervor religioso estudou as origens da sua terra, amorosamente lhe quis e através da sua longa e afanosa vida sempre procurou servi-la, pela sua preclara inteligência, o seu nobre carácter, a sua vasta cultura, a sua fé sempre renascente, a sua incansável e fecunda actividade.

No Brasil o seu nome aureolou-se dum extraordinário prestígio, brasileiros e portugueses se irmanando no respeito e na admiração que lhe tributavam.

E bem merecia a sua vida e a sua obra, que os anos não desluziram, esse respeito e essa admiração de que mais uma vez teve em manifestações calorosas, de expressiva unanimidade, o alto e consagrador testemunho.

Ricardo Severo era um cientista dos mais notáveis e um técnico dos mais competentes.

Deixa em vários trabalhos assinalados o muito que sabia dos assuntos que para o seu estudo preferia, e bem como sabia dizer do muito que aprendera e descobrira. E S. Paulo, onde principalmente e no transcurso de largos anos, a sua preciosa actividade se exerceu, afirma, nas transformações notáveis por que passou, sobre a sua direcção e impulso, a sua altíssima competência de trabalhador consciente e corajoso.

Ricardo Severo podia ter orgulho da sua vida e do respeito afectuoso de que soube cercá-la.

Homem de princípios sempre aos seus princípios permaneceu fiel. Mas era tal a elevação com que os mantinha, tão clara a sinceridade com que os guardava que os adversários desses princípios nem por isso deixavam de ser seus amigos e seus admiradores, sendo dos primeiros nas homenagens e aplausos que à sua obra se prestavam.

O fundador e orientador da Portugalia, o director da Revista de Ciências Naturais e Sociais, o autor proficiente e sempre brilhante de tantos estudos sobre coisas portuguesas, o cidadão exemplar e o trabalhador sem férias que tão alto, e só pelo seu esforço, soube impor-se, bem merecia, repetimos, que assim lhe quisessem e assim o festejassem.

Era um grande português, que nunca se esqueceu de que o era, e que em sê-lo com todas as límpidas virtudes da sua raça sempre timbrou. Justificado é assim o sentimento profundo que a sua morte causou em Portugal e Brasil, sentimento que bem se mostrou na homenagem unânime que a imprensa dos dois países rendeu à sua memória.

É que são cada vez mais raros os homens da sua estatura mental e moral, são cada vez mais raras as lições de educadora nobreza como as que na sua vida se compendiavam.

Renovação sente a morte do grande português, e envia a toda a sua ilustre família a expressão das suas condolências muito sinceras.

Ricardo Severo, quando veio a Portugal em 1935, residiu na sua casa de Casal de Pedro, Junqueira, deste concelho, onde tinha sua veneranda Mãe, há pouco também falecida. Ali foram cumprimentá-lo representantes da nossa Câmara, deferência que a Ricardo Severo muito penhorou.

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Éditos de 20 dias

1.ª Publicação

Na 2.ª Secção da Secretaria judicial desta comarca, correm seus termos uns autos de execução por custas e selos que o Ministério Público move contra José Fernandes da Costa, solteiro, maior, residente na freguesia da Junqueira, desta mesma comarca, e nos mesmos autos correm éditos de vinte dias, citando os credores desconhecidos para no prazo de dez dias, findo o dos éditos, a contar da última publicação do presente anúncio, deduzirem os seus direitos naquela execução, nos termos do art. 865 do Código do Processo Civil.

Vila do Conde, 5 de Abril de 1940.

O Chefe da 2ª Secção

Mário d´Oliveira Macedo

Verifiquei:

O Juiz de Direito

Alberto Direito

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1 de Julho de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva, edição 75

 

Chegadas

De Angola, chegou há dias à Quinta da Boa-Vista, no lugar de Casal Pedro, da Junqueira o sr. Joaquim Fonseca, filho da sra. D. Mariana Fonseca e irmão do nosso ilustre compatriota sr. Dr. Ricardo Severo e da sra. Viscondesa de Santa Marinha da Trindade.

- Também regressou de Benguela, à casa de seus pais, na Junqueira, a sra. D. Áurea da Silva Félix Faria.

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27 de Maio de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva, edição 70

Câmara Municipal

Diversas notícias

(…)

Escolas – A pedido da Câmara Municipal foram criadas (…) o segundo lugar na escola masculina da Freguesia da Junqueira.

 

Junqueira, 17 de Maio

(Retardada)

Regressou do Rio de Janeiro a exma. Sra D. Sebastiana Gomes, acompanhada de sua exma. Filha D. Mafalda Gomes, a quem apresentamos os nossos sinceros cumprimentos.

- Realizaram-se no mês passado nesta freguesia, umas sessões de cinema a favor do Hospital da Misericórdia de Vila do Conde. Os habitantes desta freguesia e circunvizinhas, acudindo em grande número, concorreram, assim com o seu óbulo a favor duma instituição de caridade que tanto auxílio presta à população do nosso concelho. Com o mesmo fim, nos próximos dias 20 e 21 de Maio, realizam-se mais umas sessões de cinema, no lugar da Sra. Da Graça, com o filme “As Pupilas do Sr. Reitor”.

- Encontra-se vaga a escola feminina desta freguesia, em virtude de a sua professora sra. D. Albertina Guimarães ter sido colocada em Gondomar, onde se encontra o seu marido nosso amigo sr. Afonso Rebelo.

- Sabemos ter sido criado o lugar da escola do sexo masculino cujo salão se encontra pronto. Parece-nos, que o referido lugar ainda não foi posto a concurso. Chamamos a atenção de quem de direito, para envidar todos os esforços no sentido de no próximo mês de Outubro os dois salões masculinos ficarem a funcionar, como é de inteira necessidade – C.

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13 de Maio de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva, edição 68

Chegadas

Com a sua filha sra. D. Mafalda Gomes, regressou à sua Quinta das Rosas, na Junqueira, a sr. D. Sebastiana Gomes, depois de uma curta demora no Rio de Janeiro (Brasil).

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29 de Abril de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva, edição 66 

Vacinação das crianças

Pedem-nos para tornar público que a vacinação das crianças nascidas neste concelho durante o ano de 1938, ou nele residentes, principia a ministrar-se nos postos que vão indicados nos editais afixados nos lugares do costume em todas as freguesias deste concelho, no dia 1 de Maio até ao dia 14 do mesmo mês.

Os pais, tutores ou pessoas encarregadas dos cuidados das mencionadas crianças, que as não apresentarem nos respectivos postos vacínicos, incorrem na multa de 300$00 e serão relegados ao Poder Judicial, como a lei determina.

Postos de vacinação

(…)

N.º 2 – Junqueira, consultório do exmo. Sr. Dr. Carlos Pinto Ferreira, às 9 horas, as freguesias de Junqueira, Touguinhó, Rio Mau, Arcos e Touguinha.

(…)

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1 de Abril de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva, edição 62

Feira de Bagunte

Foi no último domingo, 26 do passado mês de Março, que se realizou a tradicional feira de Bagunte, que chamou ali muita gente. A feira foi muito concorrida por gado bovino, suino e cavalar e foram conferidos aos melhores expositores os seguintes prémios:

Bois de engorda – 1.º prémio, José Ferreira de Carvalho, da Junqueira; 1.º prémio, Manuel Lopes Balazeiro, da Junqueira.

Como os dois bois de engorda classificados eram exemplares mais ou menos iguais, o júri resolveu classificar as duas juntas em 1.º prémio.

Bois de trabalho – (…) 2.º prémio, José Ferreira de Carvalho, da Junqueira.

(…)

Novilhos até 2 dentes – 1.º prémio António da Costa Faria, da Junqueira, (…)

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4 de Março de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva, edição 58

Furtos

(…)

Outros gatunos assaltaram, também, a propriedade que o nosso amigo sr. José Alexandrino Fernandes da Silva, possui em Casal Pedro (Junqueira).

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25 de Fevereiro de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 57)

Falecimentos

Marcelino Joaquim Fernandes

Na freguesia da Junqueira, faleceu no passado dia 15, contando 54 anos de idade, o sr. Marcelino Joaquim Fernandes que desempenhava actualmente o cargo de regedor da freguesia. A notícias do seu falecimento consternou não só o povo da freguesia, como também muita gente desta vila, pois eram bem conhecidas as suas boas qualidades, mercê das quais contava muitas e sinceras amizades.

O seu funeral que se realizou na penúltima sexta-feira, pelas 9 horas, foi deveras concorrido, nele se tendo incorporado muitas pessoas da sua freguesia e das circunvizinhas, assim como desta vila. O féretro foi conduzido no pronto-socorro dos nossos Bombeiros Voluntários, de que o falecido era sócio protector, desde a sua residência até à capela de N.a S.a da Graça onde se celebraram os ofícios fúnebres e dali ao cemitério paroquial, onde ficou sepultado, pelos srs. Drs. Eduardo C. Costa, António Sampaio Araújo, Carlos Pinto Ferreira e António Gonçalves Ramos, íntimos amigos do extinto.

Ao pano de honra, seguraram os srs. Horácio da Silva Nogueira, Joaquim Cerqueira da Costa, António Carvalho de Azevedo, Adelino Lopes Balazeiro, José da Costa Faria, José Batista da Costa e Manuel Azevedo. Sobre o caixão, cuja chave foi entregue ao sr. Dr. Andrade Ferreira, Presidente do Município, foram depostos ramos de flores naturais que, com sentidas dedicatórias foram oferecidos pelos srs. Drs. Carlos Pinto Ferreira, António Sampaio de Araújo, Eduardo Campos Costa e família; Amadeu Carneiro, do Porto, Horácio da Silva Nogueira, José da Costa Amorim, José Francisco Vieira, António Fernandes Faria, Izaac Lopes Gomes de Amorim, Salvador Lopes de Amorim, António José da Silva, Mariano Francisco de Oliveira, dos cunhados Serafim e Arminda, dos sobrinhos Marcelino Fernandes Lopes e Zulmira da Costa Araújo, e ainda as coroas oferecidas por sua esposa Aurora da Costa Campos, seus filhos Maria Ferreira Campos e Silva, Zulmira da Costa Campos e marido; João Pereira da Silva Povoas e família, Ana Rosa Leite de Sá e filhos, Manuel Joaquim Fernandes e Maria Amélia da Conceição.

O saudoso extinto deixou viúva a sra. D. Aurora da Costa Campos e na orfandade 9 filhos menores. À família enlutada, apresenta Renovação o seu cartão de sentidos pêsames.

 

Junqueira, 18 de Fevereiro

Causou profundo pesar nesta freguesia e arredores o falecimento do nosso querido amigo sr. Marcelino Joaquim Fernandes que desempenhava com raro critério e senso o cargo de regedor desta freguesia.

Coração bondoso e caritativo perdem os pobres um desvelado protector e a freguesia um auxiliar precioso sempre pronto a todos os sacrifícios quando estava em causa o seu desenvolvimento e progresso. Em todas as iniciativas se encontrava e assim os seus amigos devem sentir profundamente a sua falta. A toda a Família enlutada, especialmente a sua esposa, sra. Aurora da Costa Campos e filhos e sua querida tia sra. D. Maria Ferreira Campos e Silva, desvelada benemérita das Casas de Caridade de Vila do Conde, apresentados as nossas sentidas condolências.

- Parte no próximo dia 22 a bordo do Cap. Norte com destino ao Rio de Janeiro, a exma. Sra. D. Sebastiana Gomes, acompanhada de sua exma. Filha D. Mafalda Gomes.

- A passar as férias do Carnaval encontram-se entre nós os nossos queridos amigos srs. António Ferreira da Costa, distinto aluno da Faculdade de Farmácia do Porto e Afonso Rebelo, muito distinto professor em Gondomar.

- Na “Vivenda Alegre” está a passar uma temporada a exma. Sra. D. Cândida Evaristo Felix da Costa. – C.

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11 de Fevereiro de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 55)

Fazem anos:

No dia 18, a menina Maria da Conceição, filhinha do sr. Cirilo Pinto e o sr. José Quinteira, da Junqueira.

 

Arrematação

1ª publicação

No dia 26 do corrente, pelas 12 horas, á porta do Tribunal Judicial desta comarca, vai à praça afim de ser arrematado em hasta pública pelo maior lanço que for oferecido acima do seu valor, o seguinte:

PRÉDIO

Uma casa de dois andares sita no lugar de Barreiros, freguesia da Junqueira, desta comarca, cujo valor matricial é de 2.380$00.

Procede-se a esta arrematação em virtude da execução fiscal administrativa que a Fazenda Nacional move contra António Joaquim Fonseca, residente naquela freguesia da Junqueira.

Pelo presente são citados quaisquer credores incertos para assistirem à praça.

Vila do Conde, 3 de Fevereiro de 1939.

O Chefe da 2.ª Secção,

Mário d´Oliveira Macedo

Verifiquei

O Juiz de Direito

Alberto Direito

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4 de Fevereiro de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 54)

Junqueira, 23 de Janeiro (retardada)

A comissão constituída pelos exmos. Srs. P.e António José da Costa, Horácio Nogueira, vereador da C. M. de Vila do Conde, Marcelino Joaquim Fernandes, muito digno regedor e dr. Carlos Pinto Ferreira vai levar a efeito a inauguração de uma cabine telefónica pública nesta freguesia, tendo sido recebida por todos com as melhores provas de simpatia e entusiasmo pela realização de tão grande melhoramento.

Podemos dizer que num futuro muito próximo, o telefone público na Junqueira será um facto aliado à instalação de alguns telefones particulares.

Melhoramento há tanto tempo desejado, depois de concluído, necessitamos olhar com carinho e interesse para a construção do edifício da escola Feminina. É das necessidades mais instantes desta freguesia, a sua realização, porque a sala onde funciona actualmente, não tem nenhumas condições higiénicas.

Para o sexo masculino já está concluído, como dissemos, o segundo salão e pedida a creação do respectivo lugar. Pedimos para que as instâncias competentes envidem os melhores esforços para que o preenchimento desse lugar se faça o mais rapidamente possível. Depois da escola virão as fontes e lavadouros públicos e assim teremos realisado algumas das melhores obras e de maior alcance social.

- Para a subscrição desta freguesia o ano passado, a favor da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde, concorreram os exmos. Srs.:

D. Maria Ferreira Campos e Silva, 100$00; D. Ana Leite de Sá, 75$00; Marcelino Joaquim Fernandes, 60$00; D. Mariana Fonseca, P.e António José da Costa, António Carvalho de Azevedo, António Lopes Faria, Manuel Lopes Balazeiro, José Batista da Costa, Nuno e Rui Salgueiros, Manuel Pinheiro e dr. Carlos Pinto Ferreira, com 50$00; António da Silva Pereira, 40$00; Joaquim Gomes da Silva, Amadeo Faria, António Ferreira da C. Magalhães, com 20$00; Abel Lopes Balazeiro, 15$00; Carlos Gonçalves da S. Capela, José Cândido B. da Costa, Adelino da Silva Félix, António José da Costa Júnior, Joaquim Batista e Manuel Lopes Ferreira Pinto, com 10$00; Francisco Azevedo Ramos, 7$00; Rosa Maia, Luiz Candido Batista da Costa, José Batista da Costa Júnior e Manuel Batista da Costa, 5$00; Olívia Cunha, 3$00. Total 920$00

Para a construção da Esplanada da Misericórdia concorreu a exma. Sra. D. Maria Ferreira Campos e Silva e o exmo. Sr. Horácio da Silva Nogueira, como madeiras na importância respectivamente de 100$00 e 130$00 tendo a Comissão gasto com a serração dessas madeiras 230$00. Assim entregamos ao Hospital da Misericórdia de Vila do Conde: em dinheiro 690$00 e em madeira 460$00.

- A comissão angariadora composta pelos exmos. Srs. P.e António José da Costa, Horácio Nogueira, Marcelino Joaquim Fernandes e drs. Carlos Pinto Ferreira, agradece reconhecidamente a todas as pessoas que concorreram com o seu óbulo para minorar o sofrimento dos pobresinhos e ao mesmo tempo patenteia à muito digna mesa do Hospital da M. de Vila do Conde nomeadamente ao seu desvelado provedor dr. António Silva o seu profundo reconhecimento pela forma carinhosa como protege e socorre, lutando contra a falta de receita, todos os pobresinhos que precisam de se acolher à sombra da misericórdia do Hospital da Misericórdia de Vila do Conde.

- Audaciosos gatunos assaltaram a residencia do nosso bondoso e caritativo pároco António José da Costa enquanto procedia ao santo sacrifício da missa. Entraram pelo telhado, roubaram e puseram-se em fuga. Lamentamos sinceramente tal ocorrência desejando que o gatuno seja descoberto para bem de todos. – C.

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7 de Janeiro de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 50)

Aniversários

Fazem anos: No dia 10, o nosso prezado assinante da Junqueira, sr. António Gonçalves de Araújo Ramos

 

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19 de Novembro de 1938

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 43)

Falecimentos

Manuel M. Ferreira de Azevêdo

Faleceu na sexta-feira, da última semana, na freguesia de Rio Mau contando 37 anos de idade, o sr. Manuel Martins Ferreira de Azevedo, proprietário. O extinto, casado com a sra. D. Laurentina da Silva Nogueira, era filho do grande proprietário daquela freguesia sr. José Joaquim Domingues de Azevedo e de sua espôsa D. Maria Lopes Araújo, e genro do sr. Horácio da Silva Nogueira, vereador do nosso Município e considerado proprietário da Junqueira. O funeral foi muito concorrido nele se incorporando muitos amigos das famílias enlutadas e do extinto que era muito estimado.

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Junqueirenses nas Notícias

Junqueira, Vila do Conde, Portugal

A Junqueira é uma das 30 freguesias pertencentes ao concelho de Vila do Conde, situado no distrito do Porto. Dista cerca de sete quilómetros do centro da cidade e é banhado pelo rio Ave.

A Junqueira cresceu a partir do Mosteiro de S. Simão e S. Judas Tadeu, constituíndo hoje uma das suas principais atracções, ainda que fechado ao público.

De acordo com os Censos de 2001, a freguesia conta 2243 habitantes, sendo que a maior parte da população - 52% - tem entre 25 e 64 anos. Acima dos 65 anos contam-se apenas 12%.

Em termos de actividades profissionais, a Junqueira está muito longe de ser uma freguesia dedicada à agricultura, como se poderá pensar. Tendo em conta a mesma fonte, os Censos de 2001, dedicada ao sector primário estão apenas 6,5 % da população. O sector secundário (indústria e construção civil, principalmente) emprega o maior número de pessoas - cerca de 61% -, enquanto que os restantes 32% estão concentrados no sector terciário (serviços).

Em relação ao nível de escolaridade, tecnicamente não existem analfabetos, e o número de residentes com a instrução primária suplanta as restantes categorias, por esta ordem: preparatório, secundário, outro ensino.

Continuando pelo ensino, desde há dez anos que a Junqueira conta com uma escola de ensino básico de 2.º e 3.º ciclos, nomeada de “Carlos Pinto Ferreira”, em memória de um antigo médico, jornalista, político do Estado Novo, que se evidenciou pela solidariedade para com os mais desprotegidos. Há ainda a registar a existência de uma escola primária, um Centro de Dia, e um Centro de Saúde.

Como pontos de atracção, depois do Mosteiro, a Junqueira apresenta diversos monumentos religiosos de elevada consideração para fiéis e estudiosos. Ficou ainda mais conhecida depois de ter visto uma antiga estalagem (hoje em ruínas) “aparecer” retratada em “A Filha do Arcediago”, de Camilo Castelo Branco. A Estalagem, rebatizada de “das Pulgas”, serviu para o arcediago pernoitar.

As “Mamoas do Fulom”, em Barros, e a “Truta de Chantada”, em Sanguinhal, são apontados como ex-libris arqueológicos da freguesia. Por fim, destaque para as várias festas e romarias, que ocorrem tradicionalmente nos meses de Verão.

A freguesia conta com várias instituições, sendo de destacar: o Agrupamento de Escuteiros n.º 131, a União Desportiva da Junqueira, o Clube de BTT e Grupo de Jovens em Caminhada.

Em termos administrativos, a Junta de Freguesia é liderada, pelo terceiro mandato consecutivo, por António Cruz, eleito sempre nas listas do PS desde 1997. O edifício da Junta está situado no lugar de Lamelas.

Se pretende aprofundar os conhecimentos acerca da Junqueira, pode fazê-lo através da página da Junta de Freguesia e da Escola EB 2, 3 Carlos Pinto Ferreira. Para perceber como surgiu e o impacto que o Mosteiro teve no desenvolvimento da Junqueira, recomenda-se os dois volumes de “Mosteiro da Junqueira, dos Primórdios até ao século XIII”, da autoria do professor Sérgio Lira , edição da Câmara Municipal de Vila do Conde.