Junqueira Antiga

Icon

S. Simão da Junqueira no Século XX nas páginas dos jornais vilacondenses. Um projecto a longo prazo, realizado diariamente, com a reprodução das notícias e a divulgação dos junqueirenses mencionados nas páginas dos periódicos. Sem outras pretensões que não sejam a contribuição para a História da Junqueira, este espaço está ao dispor dos visitantes, que podem fazer chegar as suas críticas, sugestões ou referências para junqueiraonline@gmail.com.

17 de Agosto de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, edição 86

29 de Julho de 1940

Por Terras do Minho – Excursão dos alunos da escola masculina da Junqueira (Retardada na Redacção)

Há quatro anos que o professor desta freguesia sr. José Lopes da Costa, proporciona, com o auxílio da Caixa Escolar, uma excursão anual aos alunos sócios da mesma Caixa, a que se associam os melhores elementos da nossa terra.

Pequenos e adultos aguardam com ansiedade esse passeio, com o qual se procura dar aos pequenos escolares, além dumas horas de verdadeira alegria, conhecimento exacto da bela terra portuguesa, sempre tão cheia de encantos naturais, mas agora alindada pela patriótica e sábia administração do governo do Estado Novo.

Guerra Junqueiro, que a classificou de – a mais formosa e linda -, se ainda hoje fosse vivo teria escassez de termos para condignamente a classificar.

Foi, pois, no passado domingo a 4ª excursão promovida sob o patrocínio da Caixa Escolar.

A 1ª foi a Braga e seus encantadores subúrbios; a 2ª, a Valência; a 3ª a Aveiro e a de ontem foi ao Gerês com visita às terras do percurso.

As camionetas chegaram aqui às sete e meia. Os excursionistas também foram pontuais e traziam as suas cestas bem providas. Na excursão tomaram parte os seguintes senhores, com as respectivas famílias: pároco da freguesia; componentes da Junta – José Baptista da Costa, José Amorim e Manuel Ferreira Amorim; regedor – Joaquim Gomes da Silva; dr. Carlos Pinto Ferreira, Carlos G. da S. Capela, Manuel G. da S. Capela, Adelino Gomes da Costa, Abílio da C. Araújo, etc., e muitas crianças da escola.

Às oito horas as camionetas dão sinal de partida e, mesmo com velocidade moderada, depressa atingem Famalicão e depois Braga, terras que nos eram bastante familiares. Depois Ponte do Bico, onde corre o Cávado, que deixava ver o seu leito bastante descoberto. Povoações lindas, casas e muros – donde pendiam flores – muito caiados. A seguir Carrazade, e Rendufe ao lado com o seu mosteiro de duas torres. Em breve alcançamos Amares, linda e bem cuidada, vaidosa do seu remoto avoengo Gualdim Pais, a quem, num preito justo de gratidão, levantaram uma estátua na melhor praça daquela vila.

A flora, como num filme, toma outro aspecto, pois as oliveiras, em ranchos começam agora a surgir nos terrenos que marginam a estrada de mistura com carvalhos, em grande profusão. Aparece depois Dornelas. A sua igreja, com uma só torre, emerge lá em cima, muito caiada no meio do arvoredo verdejante. A seguir a igreja de Santa Marta, com a sua torre muito esguia. Grupos de homens e mulheres conversam sossegadamente, usando a mesma indumentária da gente da nossa terra.

Povo respeitador, pois cumprimenta-nos com um sorriso de bondade, que nós retribuímos com sinceridade.

De repente, numa curva de estrada, aparece-nos a igreja do Bouro, com duas torres, com o seu casario anexo mal-tratado, quase em ruínas. Revela-nos ainda, porém no seu aspecto exterior, a opulência dos seus moradores em tempos idos. Percorremos as suas salas com cuidado, pois tudo aquilo ameaçando ruína, é agora habitação quase exclusiva de animais daninhos.

Aqui, tomamos uma estrada, à esquerda, para visitarmos o Mosteiro da Abadia. Estrada estreita e íngreme, mas que os motores vencem com relativa facilidade. No percurso desta ladeira encontramos o reverendo Abade Paulo Lourenço Rodrigues, pároco no concelho de Amares, que, montado numa anafada égua seguia também para o santuário. Chegamos.

Os que não conheciam a Abadia admiram aquele reconcavo de natureza, aquele oasis no meio da montanha. Havia ali missa nova, a ser celebrada pelo reverendo João de Deus, também conhecido pelo Padre Pascoal, de Santa Isabel do Monte. Por isso se viam ali tantos eclesiásticos…

Visitamos o santuário, cercado de montanhas, oramos e meditamos na nossa pequenez antes aqueles gigantes de terra e pedra que penetravam nas nuvens e que nos cercavam.

Votamos a Bouro e tomamos a direcção de São Bento da Porta Aberta.

Passamos Dornes com a sua igreja asseada. Pela encosta de um monte, à direita, descia apressado um ribeirinho, que ia juntar-se lá muito no fundo ao rio Caldo, que se arrastava entre penedos. E então aqui o cenário é grandioso, empolgante.

À nossa direita, vasto horizonte limitado ao longe pelas montanhas cobertas de arvoredo verdejante e profuso. Dava-nos a impressão do arvoredo do Bom Jesus de Braga, em fantásticas dimensões.

E em frente, num contraste flagrante, o Gerês escalvado, de aspecto carrancudo, de quem um jornalista disse há anos:

Eu sou aquele inculto e grande monte,

A quem vós outros chamais o do Gerês.

É das minhas entranhas que promanam,

As águas que em baixo brotar vez.

E as camionetas lá iam seguindo na direcção de São Bento. Terreno íngreme, mas que os motores vão vencendo sem esforço de maior. Aqui todos ficam bem impressionados porque o local é lindo, o horizonte é largo e a povoação denuncia, – com o seu coreto elegante, com as suas avenidas de tílios e com o seu parque bem cuidado – civilização e progresso.

Mas os excursionistas, unanimente, proclama a necessidade de se atender as solicitações do estômago, tanto mais que eram treze horas. E as cestas descem dos tejadilhos, das camionetas e todos pressurosos, se dirigem para o parque. Momentos de bem-estar, de alegria, de satisfação. Harmonia completa e perfeita fraternidade. Os sinos repicam modinhas conhecidas e trechos do filme A Aldeia da roupa branca.

Depois visitamos templo e cumprimos o nosso dever de cristãos.

Mas o tempo urgia, e o programa tinha de ser cumprido. Por isso de novo retrogradamos. As camionetas avançam e em breve alcançamos o Gerês.

Povoação linda e asseada, – um éden no meio da natureza bravia. Aqui demoramos um bom bocado a visitar a famosa estância termal e a fazermos as nossas compras – recordações – e voltamos quase com saudade à povoação do rio Caldo. E agora começa a escalada abrupta da ladeira do mesmo nome. São oito quilómetros de ascensão difícil em que os motores rangem e um deles manifesta certa indecisão. O abismo que se nos desenha do lado direito é horroroso.

Mas, briosamente, as camionetas lá chegam ao cimo da ladeira pavorosa do Rio Caldo onde ainda adeja a água e vive o lobo. E naquelas alturas incomensuráveis, escondida no meio do arvoredo pujante, vê-se uma povoação que nos é denunciada por uns pequeninos campos de milho, pois onde a cultura é possível mesmo em pequenas dimensões, logo o povo estabelece o seu poiso e ali se aclimata.

E os motores lá arrancam para Póvoa de Lanhoso, que é asseada e onde são evidentes os anseios de progresso. Um edifício de grandes linhas ali se vê em construção e que nos dizem ser os Paços do Concelho. O jardim também é bonito e asseado. Mas o sol vai baixando no horizonte. Fazem-se compras e avançamos para as Taipas.

Aqui de novo se atacam, com energia e decisão, os farnéis ainda com bastantes provisões. O lugar presta-se. Arvoredo, relvado.

Permutam-se as vitualhas, com franqueza, com liberalidade.

Mas a tarde com grande saudade de todos vai-se escoando lentamente.

Por isso, terminado, com muita calma o repasto, lá seguimos para Guimarães afim de visitarmos o Castelo onde ainda há pouco se celebraram as mais patrióticas festas.

Contornámo-lo com devoção e carinho, e memoramos o papel importante que ele desempenhou no começo da nossa nacionalidade. Foi uma lição de história feita ao vivo às crianças e a alguns adultos, sendo também ali posto em foco o quanto o governo de Salazar tem feito por Portugal, tão evidentemente patenteado nas belas estradas que percorremos, nas escolas lindas que vimos, nos diversos edifícios em construção que presenciamos e até naquele e noutros castelos restaurados que atestarão à posteridade a nossa grandeza passada.

E assim os alunos sócios da Caixa Escolar tiveram ocasião de ver a terra-berço da nossa nacionalidade, onde há oitocentos anos se desenrolaram factos que por completo influenciaram nos destinos da nossa Pátria. Tudo isto foi dito aos alunos excursionistas, que contornaram aquele vetusto monumento de granito com curiosidade e admiração, assim como admiraram a estátua do 1º rei de Portugal – o valoroso D. Afonso Henriques.

A noite vinha descendo.

Atravessamos a cidade para onde emergiam ranchos que regressavam das aldeias, cantando. Passamos por Negrelos, onde vimos as diversas fábricas que fazem a felicidade daquelas terras.

As crianças cantavam. Depois Santo Tirso, muito iluminada. A seguir Trofa, Fornelo, Macieira e… Junqueira.

29-7-940. – C.

Filed under: 1940, Educação, Social

20 de Julho de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, edição 82

 

Junqueira, 17 de Julho

Encontram-se nesta freguesia, a passar uma parte do verão, os srs. José da Costa Magalhães e Joaquim Moreira Brites, de Vila do Conde, com suas respectivas famílias.

- Concluiu o curso de farmácia na Faculdade de Farmácia do Porto o nosso conterrâneo sr. António Ferreira da Costa. Parabéns.

- O nosso reverendo e estimado Pároco tem distribuído várias esmolas pelas famílias mais necessitadas desta freguesia, da quantia que para tal fim lhe foi confiada pela família do falecido José Fernandes da Silva, dessa vila.

- Relação das alunas da professora desta freguesia sra. D. Ernestina Sá que há dias fizeram exame de 3ª classe e que foram aprovadas: Idalina Lopes Ferreira, Síria da Costa Fernandes, Olga de Oliveira Curval, Ana Alves da Silva, Maria Elisa R. Campos, Maria Albina de Azevedo, Alcina F. Lopes da Costa e Adília F. Lopes da Costa. Pelo professor sr. José Lopes da Costa, também foram propostos os seguintes alunos, ficando todos aprovados: Mário F. Ribeiro de Faria, Fernando Cerqueira F. da Costa, Carlos A. F. da Ressurreição, Manuel da Costa Ferreira, António Gonçalves das Neves, José Alves da Silva, José Maria da C. Amorim, Eduardo Cândido B. da Costa, José Nunes da Silva, Orlando da Costa Pinto Ferreira, José da Costa Ramos, Joaquim Lopes Ferreira, António Oliveira Curval, António Ferreira Lopes, Horácio Fernandes Maciel e José Correia de Azevedo. – C.

 

Inventário de prédios e fogos

(…)

O sr. Presidente da Câmara nomeou, para efeitos do inventário de prédios e fogos, os seguintes agentes:

(…)

Junqueira – José Lopes da Costa e Padre António José da Costa.

(…)

 

Filed under: 1940, Educação, Religião, Social

22 de Junho de 1940

Director do Renovação: Carlos Pinto Ferreira, Edição 78

Comemorações Centenárias

O Cruzeiro da Independência, afortunada iniciativa do nosso querido amigo e ilustre colaborador Rev. Padre Moreira das Neves, foi acolhida pelas freguesias do nosso Concelho com aquele superior sentido patriótico e cristão que requeria e tanto as enaltece. Já várias freguesias, segundo testemunham correspondências insertas neste jornal, realizaram a sua festa do Cruzeiro, todas elas pondo o melhor do seu desvelo e carinho na elaboração do seu programa. Ultimamente outras se lhes seguiram. O que elas foram, dizem-no os relatos que a seguir publicamos.

Junqueira, 17

Festas Centenárias e Cruzeiro da Independência – As comemorações centenárias da Fundação e Restauração, que aqui tiveram o seu início no dia 2 do corrente, conforme o programa geral, com várias cerimónias patrióticas nas escolas oficiais desta freguesia, atingiram ontem o maior brilhantismo, associando-se a todos os actos numerosa multidão de povo desta e das freguesias vizinhas. Bastantes casas ostentam, desde a gloriosa jornada de Guimarães, às respectivas janelas, bandeiras da Fundação, o que mostra que nesta terra já sopra uma salutar rajada de civismo. Às cinco horas da tarde surgiu lá em cima, junto à capela da Senhora da Graça, a Bandeira Nacional conduzida por uma aluna da escola feminina, vindo atrás todas as alunas da mesma escola com pequeninas bandeiras da Fundação e lindos ramos de flores, marchando duma forma impecável em direcção à escola masculina onde se encontravam também já formados os alunos daquela escola.

Organizou-se então um vistoso cortejo com os alunos das escolas dos dois sexos com as respectivas bandeiras, o reverendo Pároco, gente da freguesia, regedor, dr. Carlos Pinto Ferreira, Delegado de Saúde, várias outras pessoas de representação social e muito povo. Começou então a deslizar o lindo cortejo em direcção à igreja, cantando as crianças no percurso lindas canções patrióticas. O vasto templo encheu-se de povo.

Após várias cerimónias religiosas o cortejo pôs-se de novo em marcha em direcção ao lindo Cruzeiro que fica próximo e onde se ia proceder à inauguração da lápide comemorativa dos dois centenários.

O reverendo Pároco procedeu à descerração da lápide, sendo este um momento de intensa emoção.

As crianças, aproximadamente em número de 150, fizeram continência, cantaram o hino nacional, repicaram os sinos e subiram foguetes ao ar, enquanto o augusto símbolo subia, lentamente, desfraldado ao vento.

Seguiu-se depois uma sessão solene no mesmo local, num estrado previamente preparado, que decorreu com o maior interesse e elevação. Falaram os srs. Reverendo Pároco, que presidiu, dr. Carlos Pinto Ferreira, professores D. Ernestina Sá, Figueiredo e Costa, tendo numerosos alunos e alunas recitado com muita arte lindas poesias e proferidos patrióticos discursos, tendo sido todos os oradores muito aclamados.

Proferiram discursos e poesias os seguintes alunos:

Manuel Corval, A nossa história; Mário Soares, Portugal; José Amorim, Egas Moniz; Alfredo da Costa, Nuno Álvares Pereira; Adilia Costa, Migalhas; Manuel Cerqueira, Sonho de Pomba; Rui Lopes da Costa, Lenda Polaca; Orlando Pinto Ferreira, A nossa Pátria; Adília Costa, Os pobrezinhos; Manuel Corval, Fidalgo toleirão; Idalina Curval, Um Rico que passa; e Maria Emelina Pinto Ferreira, Jesus em Pequenino.

Tomaram assento na mesa a Junta de freguesia, regedor, e o sr. Horácio da Silva Nogueira, vereador da Câmara. Foi uma verdadeira lição de civismo, que deixou a numerosa assistência muito bem impressionada. – C.

Filed under: 1940, Educação, Social

27 de Maio de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva, edição 70

Câmara Municipal

Diversas notícias

(…)

Escolas – A pedido da Câmara Municipal foram criadas (…) o segundo lugar na escola masculina da Freguesia da Junqueira.

 

Junqueira, 17 de Maio

(Retardada)

Regressou do Rio de Janeiro a exma. Sra D. Sebastiana Gomes, acompanhada de sua exma. Filha D. Mafalda Gomes, a quem apresentamos os nossos sinceros cumprimentos.

- Realizaram-se no mês passado nesta freguesia, umas sessões de cinema a favor do Hospital da Misericórdia de Vila do Conde. Os habitantes desta freguesia e circunvizinhas, acudindo em grande número, concorreram, assim com o seu óbulo a favor duma instituição de caridade que tanto auxílio presta à população do nosso concelho. Com o mesmo fim, nos próximos dias 20 e 21 de Maio, realizam-se mais umas sessões de cinema, no lugar da Sra. Da Graça, com o filme “As Pupilas do Sr. Reitor”.

- Encontra-se vaga a escola feminina desta freguesia, em virtude de a sua professora sra. D. Albertina Guimarães ter sido colocada em Gondomar, onde se encontra o seu marido nosso amigo sr. Afonso Rebelo.

- Sabemos ter sido criado o lugar da escola do sexo masculino cujo salão se encontra pronto. Parece-nos, que o referido lugar ainda não foi posto a concurso. Chamamos a atenção de quem de direito, para envidar todos os esforços no sentido de no próximo mês de Outubro os dois salões masculinos ficarem a funcionar, como é de inteira necessidade – C.

Filed under: 1939, Educação, Social

4 de Fevereiro de 1939

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 54)

Junqueira, 23 de Janeiro (retardada)

A comissão constituída pelos exmos. Srs. P.e António José da Costa, Horácio Nogueira, vereador da C. M. de Vila do Conde, Marcelino Joaquim Fernandes, muito digno regedor e dr. Carlos Pinto Ferreira vai levar a efeito a inauguração de uma cabine telefónica pública nesta freguesia, tendo sido recebida por todos com as melhores provas de simpatia e entusiasmo pela realização de tão grande melhoramento.

Podemos dizer que num futuro muito próximo, o telefone público na Junqueira será um facto aliado à instalação de alguns telefones particulares.

Melhoramento há tanto tempo desejado, depois de concluído, necessitamos olhar com carinho e interesse para a construção do edifício da escola Feminina. É das necessidades mais instantes desta freguesia, a sua realização, porque a sala onde funciona actualmente, não tem nenhumas condições higiénicas.

Para o sexo masculino já está concluído, como dissemos, o segundo salão e pedida a creação do respectivo lugar. Pedimos para que as instâncias competentes envidem os melhores esforços para que o preenchimento desse lugar se faça o mais rapidamente possível. Depois da escola virão as fontes e lavadouros públicos e assim teremos realisado algumas das melhores obras e de maior alcance social.

- Para a subscrição desta freguesia o ano passado, a favor da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde, concorreram os exmos. Srs.:

D. Maria Ferreira Campos e Silva, 100$00; D. Ana Leite de Sá, 75$00; Marcelino Joaquim Fernandes, 60$00; D. Mariana Fonseca, P.e António José da Costa, António Carvalho de Azevedo, António Lopes Faria, Manuel Lopes Balazeiro, José Batista da Costa, Nuno e Rui Salgueiros, Manuel Pinheiro e dr. Carlos Pinto Ferreira, com 50$00; António da Silva Pereira, 40$00; Joaquim Gomes da Silva, Amadeo Faria, António Ferreira da C. Magalhães, com 20$00; Abel Lopes Balazeiro, 15$00; Carlos Gonçalves da S. Capela, José Cândido B. da Costa, Adelino da Silva Félix, António José da Costa Júnior, Joaquim Batista e Manuel Lopes Ferreira Pinto, com 10$00; Francisco Azevedo Ramos, 7$00; Rosa Maia, Luiz Candido Batista da Costa, José Batista da Costa Júnior e Manuel Batista da Costa, 5$00; Olívia Cunha, 3$00. Total 920$00

Para a construção da Esplanada da Misericórdia concorreu a exma. Sra. D. Maria Ferreira Campos e Silva e o exmo. Sr. Horácio da Silva Nogueira, como madeiras na importância respectivamente de 100$00 e 130$00 tendo a Comissão gasto com a serração dessas madeiras 230$00. Assim entregamos ao Hospital da Misericórdia de Vila do Conde: em dinheiro 690$00 e em madeira 460$00.

- A comissão angariadora composta pelos exmos. Srs. P.e António José da Costa, Horácio Nogueira, Marcelino Joaquim Fernandes e drs. Carlos Pinto Ferreira, agradece reconhecidamente a todas as pessoas que concorreram com o seu óbulo para minorar o sofrimento dos pobresinhos e ao mesmo tempo patenteia à muito digna mesa do Hospital da M. de Vila do Conde nomeadamente ao seu desvelado provedor dr. António Silva o seu profundo reconhecimento pela forma carinhosa como protege e socorre, lutando contra a falta de receita, todos os pobresinhos que precisam de se acolher à sombra da misericórdia do Hospital da Misericórdia de Vila do Conde.

- Audaciosos gatunos assaltaram a residencia do nosso bondoso e caritativo pároco António José da Costa enquanto procedia ao santo sacrifício da missa. Entraram pelo telhado, roubaram e puseram-se em fuga. Lamentamos sinceramente tal ocorrência desejando que o gatuno seja descoberto para bem de todos. – C.

Filed under: 1939, Educação, Política, Religião, Social

15 de Outubro de 1938

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 36)

Eleições

A Câmara Municipal propõe superiormente, para efeito das eleições de deputados a realizar no próximo dia 30, o agrupamento das freguesias deste concelho em 4 assembleias primárias constituídas pela seguinte forma:

(…)

2-ª – Junqueira

Composta das freguesias de Arcos, Bagunte, Ferreiró, Junqueira, Outeiro, Parada, Rio Mau e Touguinhó.

(…)

Para presidirem a essas assembleias foi proposta a nomeação dos srs.: (…) Dr. Carlos Pinto Ferreira e Horácio da Silva Nogueira, para assembleia da Junqueira.

(…)

 

Junqueira, 1 de Outubro (Retardada)

Causou profunda consternação nesta freguesia o desastre ocorrido numa pedreira na Quinta da Espinheira, de que foram vítimas António Campos Costa de 17 anos de idade, que teve morte instantânea e António Machado de 25 anos de idade, ambos moradores, no lugar da Garrida desta freguesia, encontrando-se o último internado no Hospital de Vila do Conde, com fractura dos ossos das pernas, sendo a da perna direita exposta.

- De Santa Marta, Douro, depois de ter procedido à vindima, regressaram a esta freguesia a exma. Sra. D. Albertina Guimarães, muito distinta professora nesta freguesia e seu marido o nosso querido amigo sr. Afonso Rebelo, ex-professor de Bagunte, que deve partir por estes dias para Gondomar a reassumir as suas funções nessa terra, depois de ter sido anulado o despacho que o colocou em Bagunte.

- De Caldelas, regressou a esta freguesia a exma. Sra. D. Maria Pinto de Lima, acompanhada de sua filha Ana.

- Para Lisboa e depois de ter passado uma larga temporada na Quinta das Camélias acompanhado de sua Exma. Família, partiu o nosso querido amigo sr. Dr. Raul de Faria, muito distinto tuberculogista.

- Para Paris, parte na próxima semana a exma. Sra. D. Sebastiana Gomes, da Quinta das Rosas, acompanhada de sua exma. Filha D. Mafalda Gomes. Desejamos-lhes muito boa viagem.

- Para Terras do Bouro, partiu o nosso amigo sr. Dr. Manuel Pinto Ferreira, depois de ter passado uma temporada em casa de seus pais.

- Encontram-se sensivelmente melhorados das doenças que os têm retido no leito a exma. Sra. D. Alice Nogueira, filha do nosso querido amigo Horácio Nogueira, muito distinto vereador da Câmara de Vila do Conde e o exmo. Sr. José da Silva Felix, filho do nosso amigo sr. Joaquim Lopes da Silva.

- Também têm passado melhor os nossos amigos Marcelino Joaquim Fernandes, muito digno regedor desta freguesia e José Batista da Costa, presidente da Junta desta freguesia. A todos desejamos rápidas melhoras. – C.

Filed under: Acidentes, Diversos, Educação, Social

17 de Setembro de 1938

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 32)

Junqueira, 15

Recomeçaram as obras na Escola Masculina, que consistem na adaptação da sua casa de habitação a um salão escolar. Louvamos e agradecemos à Exma. Comissão Administrativa de Vila do Conde a conclusão de tais obras, porquanto a maior parte da população escolar desta freguesia se via na contingência de não poder frequentar a escola. Com mais um salão, ainda não fica resolvido o problema escolar visto o salão feminino não comportar todos os alunos inscritos no recenseamento escolar e ainda por se encontrar em más condições de higiene escolar. Necessária se tornará a construção de dois salões para o sexo feminino. Com a comparticipação do Estado e o auxílio da freguesia tudo se fará. O que é necessário é haver boa vontade. Assim, lembramos á Exma. Junta desta freguesia a necessidade de envidar todos os esforços no sentido dessa realização, tão urgente quão necessária.

- Outro assunto palpitante e de máximo interesse é a instalação de um posto telefónico público nesta freguesia. Na subscrição aberta para tal fim inscreveram-se os Exmos. Senhores: D. Sebastiana Gomes, Drs. Eduardo Campos Costa, Manoel e Carlos Pinto Ferreira, António José da Costa Júnior, Afonso Pinto Rebelo, Manoel Lopes Ferreira Pinto, António Ferreira da Costa Magalhães. Esperamos que toda a freguesia concorra para levar a fim tão útil e necessário melhoramento.

- Completou ontem 93 anos a exma. Snra. D. Mariana Fonseca, a quem apresentamos as nossas mais sinceras e cordeais felicitações por tão faustosa data.

- Da Suiça, para onde tinham partido em visita a sua Exma. Família e depois de se ter demorado na Alemanha e França, regressou à Quinta das Rosas a exma. Snra. D. Sebastiana Gomes.

- Na Quinta das Camélias, em Casal de Pedro, encontra-se acompanhado de sua exma. família, o nosso querido amigo exmo. Snr. Dr. Raúl de Faria, muito distinto tuberculogista em Lisboa.

- Na Quinta da Boa-Vista, a passar uma temporada junto da exma. Snra. Viscondessa de Santa Marinha da Trindade, encontra-se acompanhado de sua exma. Mãe, a exma. Sra. D. Maria Cesarina, muito distinta pediatra na cidade do Porto.

- Depois de ter passado entre nós as suas férias, partiu para o Porto acompanhado de sua exma. esposa e filhinhos, o nosso prezado amigo Dr. Eduardo Pinto, muito distinto assistente de Clínica Cirurgica da Faculdade de Medicina do Porto.

- De Vizela, depois da sua habitual cura de águas, regressou a sua casa a exma. D. Maria Pinto de Lima, acompanhada de sua filha Deolinda.

- Para Caldelas partiu há dias a exma. Snra. D. Ana Pinto Ferreira, acompanhada de sua exma. Mãe.

- Da mesma estância de águas regressou a exma. Snra. D. Idalina Ferreira da Costa, acompanhada de sua filha D. Cândida Ferreira da C. Magalhães e do exmo. Snr. António Ferreira da C. Magalhães.

- Em gozo de férias está em casa de seus queridos pais, o nosso amigo Dr. Manoel Pinto Ferreira, muito distinto advogado notário em Terras do Bouro.

- Na Quinta do Mosteiro encontra-se, acompanhado de sua exma. família, o nosso amigo exmo. Snr. João Pacheco Rebelo de Carvalho.

- Por falecimento de sua querida Mãe, está de luto a exma. Snra. D. Albertina Guimarães, muito digna professora desta freguesia, a quem apresentamos as nossas sentidas condolências, bem como a seu exmo. Esposo, o nosso bom amigo Afonso Pinto Rebelo, muito distinto professor em Bagunte. Por tal motivo partiram há dias para Santa Marta de Penaguião, terra da sua naturalidade. – C.

Filed under: Diversos, Educação

6 de Agosto de 1938

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 26)

Exames

Resultados do 2.º grau

(…) Junqueira – Lisete Souto Magalhães e Maria Alice F. Machado, distintos; Eduardo da Silva Lopes, Joaquim F. da Costa e José da Silva Aguiar, aprovados.

Filed under: Educação

30 de Julho de 1938

Director do Renovação: António Francisco Ribeiro da Silva (edição 25)

Junqueira, 23 de Julho

Os alunos da escola do sexo feminino juntamente com os das escolas Bagunte, acompanhados pelos seus pais e respectivos professores, exmas. Sras. D. Albertina Guimarães e D. Júlia Mesquita Guimarães, Afonso Rebelo e do exmo. Delegado Escolar deste concelho, realizaram há dias o seu passeio escolar anual. Visitaram as cidades de Viana do Castelo e Barcelos, passando por Esposende e Ponte do Lima.

- Na escola masculina desta freguesia, prestaram provas de ensino elementar os alunos desta freguesia e da de Bagunte, ficando aprovados.

- Também prestaram provas de 2.º grau em Vila do Conde, os alunos propostos pelos professores desta freguesia, ficando as meninas distintas e os rapazes aprovados.

- Regressou da sua cura de águas do Gerez, acompanhado de sua gentil filha Alice, o nosso querido amigo e activo regedor sr. Marcelino Joaquim Fernandes.

- A artística Taça, oferta desta freguesia ao II Circuito Ciclista Internacional de Vila do Conde foi obtida por subscrição aberta entre os exmos. Senhores: D. Maria Ferreira Campos e Silva, Junta de Freguesia, Marcelino Joaquim Fernandes, drs. Eduardo Campos Costa, Manoel Pinto Ferreira, Carlos Pinto Ferreira, e Afonso Pinto Rebelo, António Gonçalves de Araújo Ramos, António Carvalho de Azevedo e António Ferreira da Costa Magalhães. – C.

Filed under: Desporto, Educação, Social

Translation

For a translation of this page, please click here. Thanks!

Junqueirenses nas Notícias

Junqueira, Vila do Conde, Portugal

A Junqueira é uma das 30 freguesias pertencentes ao concelho de Vila do Conde, situado no distrito do Porto. Dista cerca de sete quilómetros do centro da cidade e é banhado pelo rio Ave.

A Junqueira cresceu a partir do Mosteiro de S. Simão e S. Judas Tadeu, constituíndo hoje uma das suas principais atracções, ainda que fechado ao público.

De acordo com os Censos de 2001, a freguesia conta 2243 habitantes, sendo que a maior parte da população - 52% - tem entre 25 e 64 anos. Acima dos 65 anos contam-se apenas 12%.

Em termos de actividades profissionais, a Junqueira está muito longe de ser uma freguesia dedicada à agricultura, como se poderá pensar. Tendo em conta a mesma fonte, os Censos de 2001, dedicada ao sector primário estão apenas 6,5 % da população. O sector secundário (indústria e construção civil, principalmente) emprega o maior número de pessoas - cerca de 61% -, enquanto que os restantes 32% estão concentrados no sector terciário (serviços).

Em relação ao nível de escolaridade, tecnicamente não existem analfabetos, e o número de residentes com a instrução primária suplanta as restantes categorias, por esta ordem: preparatório, secundário, outro ensino.

Continuando pelo ensino, desde há dez anos que a Junqueira conta com uma escola de ensino básico de 2.º e 3.º ciclos, nomeada de “Carlos Pinto Ferreira”, em memória de um antigo médico, jornalista, político do Estado Novo, que se evidenciou pela solidariedade para com os mais desprotegidos. Há ainda a registar a existência de uma escola primária, um Centro de Dia, e um Centro de Saúde.

Como pontos de atracção, depois do Mosteiro, a Junqueira apresenta diversos monumentos religiosos de elevada consideração para fiéis e estudiosos. Ficou ainda mais conhecida depois de ter visto uma antiga estalagem (hoje em ruínas) “aparecer” retratada em “A Filha do Arcediago”, de Camilo Castelo Branco. A Estalagem, rebatizada de “das Pulgas”, serviu para o arcediago pernoitar.

As “Mamoas do Fulom”, em Barros, e a “Truta de Chantada”, em Sanguinhal, são apontados como ex-libris arqueológicos da freguesia. Por fim, destaque para as várias festas e romarias, que ocorrem tradicionalmente nos meses de Verão.

A freguesia conta com várias instituições, sendo de destacar: o Agrupamento de Escuteiros n.º 131, a União Desportiva da Junqueira, o Clube de BTT e Grupo de Jovens em Caminhada.

Em termos administrativos, a Junta de Freguesia é liderada, pelo terceiro mandato consecutivo, por António Cruz, eleito sempre nas listas do PS desde 1997. O edifício da Junta está situado no lugar de Lamelas.

Se pretende aprofundar os conhecimentos acerca da Junqueira, pode fazê-lo através da página da Junta de Freguesia e da Escola EB 2, 3 Carlos Pinto Ferreira. Para perceber como surgiu e o impacto que o Mosteiro teve no desenvolvimento da Junqueira, recomenda-se os dois volumes de “Mosteiro da Junqueira, dos Primórdios até ao século XIII”, da autoria do professor Sérgio Lira , edição da Câmara Municipal de Vila do Conde.