“A Junqueira do Século XX nas páginas do Renovação”
O presente trabalho pretende relembrar que há História recente da Junqueira que merece ser contada. O objectivo final não é o “fazer História”, mas apenas contribuir para traçar luzes sobre um passado próximo da Junqueira e ajudar quem tem mais dificuldades para conhecer o sítio onde vive ou por onde passa.
Este documento, intitulado “A Junqueira do Século XX nas páginas do Renovação”, está em constante actualização. O periódico conta com mais de dois mil exemplares publicados e, no momento em que escrevo estas linhas, apenas foram analisados pouco mais de duzentos. Ou seja, quase mil páginas passadas a pente fino mas muitas mais ainda por visitar.
Para os mais incautos, os textos que se vão seguir a este servirão igualmente para confirmar uma cada vez maior verdade dos nossos dias: que nem sempre o que é notícia publicada, ouvida ou vista representa a verdade. As questões e as dúvidas deverão sempre marcar qualquer manifestação de certeza, especialmente se essa certeza vier de quem escreveu num jornal como o Renovação. É que o semanário representa uma matriz defensora do regime de António de Oliveira Salazar, pelo que alguns textos representam claramente uma visão parcial da realidade.
Não negamos que este estudo, para além de mostrar uma Junqueira Antiga, também acaba por dar uma imagem sobre a forma como se fazia jornalismo desde há 70 anos a esta parte. Desde os conteúdos à forma, desde o uso de adjectivos até à confusão entre facto e notícia.
Ao longo dos próximos posts (matéria não falta para muitos anos, acredite o leitor), iremos destacar aspectos bem interessantes do passado da Junqueira: desde a chegada do telefone (quem não se lembra de ter de ir “à Pinta” para realizar uma chamada?) até à crise do milho de 41, e que provocou acesas discussões na freguesia.
Para além disso, este trabalho vai destacar igualmente as personalidades que fizeram as páginas dos jornais. Com uma certeza verificável até ao momento em larga escala: excesso de elitismo, onde prevalecem as figuras do regedor, presidente da Junta e do pároco; a falta de notícias sobre o “povo”, das pessoas mais anónimas. Ainda assim, procuramos, na coluna do lado direito deste blogue, elencar todas as personagens junqueirenses que aparecem mencionadas – nem que seja uma única vez – no Renovação.
Por fim, este trabalho seria muito difícil de concretizar sem o auxílio de uma ferramenta: o site da Biblioteca Municipal José Régio, de Vila do Conde, e, em particular, o seu espaço dedicado aos jornais antigos, que foram recentemente digitalizados e disponibilizados a todos os que os desejem consultar.