Archive for Abril 2011
A promoção turística da Espinheira
Jornal Renovação de 8 de Agosto de 1964
Junqueira, 31 de Julho
Junqueira – Espinheira Sendo, embora, das mais populosas e progressivas freguesias de Vila do Conde, é, no entanto, sobretudo pelas suas belezas naturais que S. Simão da Junqueira se distingue. É cercada por dois rios – o Este e o Ave – que a cingem num terno e suave abraço e a orlam, qual moldura de prata da mais bela pintura do Divino Artista. É no cenário maravilhoso das margens destes dois rios, que nós encontrámos os lugares mais aprazíveis para passar uns dias de descanso, onde o corpo pode repousar serenamente, enquanto o espírito se recreia no meio de uma paisagem de sonho. São precisamente estas belezas naturais que chamam a S. Simão muitos turistas, sobretudo aos domingos. Um dos lugares mais aprazíveis e típicos desta freguesia e, consequentemente, dos mais frequentados, é, sem dúvida, a Espinheira, na margem direita do Ave e quase no extremo ocidental de S. Simão, já muito próximo de Touguinhó. O rumorejar constante das águas prateadas do Ave, que galgam afoitamente o açude que lhes barra a passagem e se precipitam da altura de alguns metros; o seu gracioso colear por entre maciços de verdura; as vetustas azenhas das duas margens; o chiar cadenciado e característico da célebre “roda grande” que se move lentamente, elevando a água que vai fertilizar e verdecer viçoso brejo, tudo isto, enfim, fá ao local um bucolismo encantador. Foi, precisamente, neste lugar de tanta beleza, que se realizaram, ultimamente, dois acontecimentos importantes – o Almoço Regional oferecido aos participantes do Congresso Internacional de Estomatologia, realizado no Porto e o 1º Grande Concurso Internacional de Pesca do Rio do Norte de Portugal. Ambos se realizaram no Solar da Quinta da Espinheira, transformado assim em “sala de visitas” de S. Simão da Junqueira. Justo é salientar a gentileza dos seus proprietários, a ex.ma sra. D. Olga Elisa de Carvalho Pinheiro Salgueiro e o sr. Nuno Villares Salgueiro, que tão atenciosamente cederam a sua casa. Outra coisa, aliás, não era de esperar daqueles que tantas provas têm dado de amor e carinho por S. Simão, apesar de cá não terem nascido. Na verdade, o sr. Nuno Salgueiro e sua Esposa estão sempre prontos a colaborar, desde que se trate do bem desta freguesia e do seu povo, compartilhando das suas alegrias e tristezas. Ao almoço, oferecido aos Congressistas pela Câmara Municipal, que se realizou no dia 24 de Junho findo, compareceram mais de 400 pessoas, todas levando a melhor das impressões, que do local, quer do banquete, que estava delicioso e cuja preparação esteve a cargo de um grupo de Senhoras, à frente das quais se encontrava a sra. D. Felismina Campos Costa Pinto Ferreira, digníssima esposa do sr. Presidente da Câmara. A todos os que contribuíram para o sucesso desta festa, os nossos sinceros parabéns.
No dia 5 deste mês, outro acontecimento veio dar, uma vez mais, vida e animação à Espinheira. Foi este de carácter desportivo, o 1º Grande Concurso Internacional de Pesca do Rio do Norte de Portugal, organizado pelo Clube Desportivo da Póvoa. No dia anterior ao Concurso, foi servido, também na Quinta da Espinheira, uma merenda regional, oferecida aos participantes das equipas estrangeiras e aos delegados dos clubes nacionais concorrentes. Cerca de 250 foram os competidores, os quais pescaram boa quantidade de peixe e de bom tamanho. Foi vencedor deste Concurso o sr. João António Ruivo, do Desportivo de Torres Novas, com 3553 pontos. Das Senhoras, saiu vencedora a sra. D. Josina Sampaio Castro, do F. C. do Porto, com 745 pontos. Na categoria de Juniores, ganhou o menino Luís Américo Rafael, do Invicta, com 619 pontos. Por clubes, venceu o clube organizador, com 9372 pontos e por equipas ganhou a equipa A do mesmo clube, com 7962 pontos. Certos de que o local a todos agradou e de que o Rio Ave tem possibilidades desportivas desta natureza, esperamos que mais concursos de pesca aqui se venham a realizar, podendo os clubes organizadores contar sempre com a boa-vontade e a dedicação do povo desta freguesia. Ao “Desportivo”, os nossos parabéns pela boa organização e êxito do Com curso e o nosso profundo reconhecimento por ter escolhido a nossa terra para competição desportiva de tal importância. – C.
Há 60 anos, o Altar da Capela da Sra. da Graça estava restaurado e o povo celebrava os benfeitores da obra
Está nesta altura a fazer 60 anos desde que terminaram as obras de restauro do Altar da Capela da Sra. da Graça, no centro da Junqueira. A notícia da missa em honra dos benfeitores das obras aparece no Renovação de 7 de Abril de 1951, que partilhamos hoje com os leitores:
“Capela da Nossa Senhora da Graça, na Junqueira
Depois de concluídas as obras de restauro do Altar da Capela da Senhora da Graça, realizou-se no passado domingo a primeira missa, em honra de Nossa Senhora e dos seus beneméritos benfeitores, Senhores José Pinto Ferreira, sua esposa senhora D. Olga Aguiar Ferreira, senhor Randolfo Pinto Ferreira e sua esposa D. Eufrosina de Oliveira Ferreira, considerados joalheiros em Pernambuco, Rio de Janeiro, Baía e Pará. A este acto religioso assistiram todas as pessoas gradas desta terra, tendo à homilia o reverendo abade desta freguesia, Padre Manuel Gomes da Costa, tecido um hino de louvor a Nossa Senhora e aos seus ilustres devotos, filhos desta terra, e que, longe do seu torrão natal, acarinham e ajudam, com larga benemerência, os seus progressos e anseios. As obras levadas a efeito, vieram realçar a magnífica talha Renascença de que são revestidos o Altar, as paredes e o tecto, onde vemos os maravilhosos painéis representando: – A fugida para o Egipto – A visita de Nossa Senhora a Santa Isabel – A Anunciação – tornando-se, assim, esta Capela, digna de ser visitada e admirada. Para os nossos ilustres conterrâneos, vai a gratidão sincera do povo desta freguesia, certo de que nunca se esquecem e que encontram sempre nos seus bondosos corações um estímulo e uma ajuda para os seus legítimos progressos.”